O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, é uma das datas que movimentam o calendário do varejo brasileiro e pode representar uma importante oportunidade para os lojistas.
Por isso, deixar a preparação para a última hora pode significar perder oportunidades de venda. Estoque, mix de produtos, preços e atendimento precisam estar alinhados para receber o aumento da demanda.
Neste conteúdo você confere o que esperar do Dia das Crianças no varejo e como preparar a sua loja para vender mais.
O que esperar do consumidor no Dia das Crianças no varejo?
O Dia das Crianças costuma movimentar diferentes categorias do varejo, principalmente aquelas relacionadas a presentes e produtos infantis. Para o lojista, entender o comportamento do consumidor antes da data é importante para ajustar estoque, preços, comunicação e atendimento.
Em 2025, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que a data movimentaria R$ 9,96 bilhões no comércio, o maior volume nominal para o período em dez anos.
Os números mostram o potencial da comemoração, mas também revelam um consumidor mais atento a preços, qualidade e custo-benefício. Na pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito Brasil, também em 2025, 76% dos entrevistados disseram que pretendiam pesquisar preços antes de comprar.
Estimativas para 2026
Para 2026, pesquisas regionais já ajudam a indicar alguns comportamentos que podem orientar o planejamento do varejo.
Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) mostra, por exemplo, que consumidores pretendem pesquisar preços, combinar diferentes canais de compra e buscar principalmente brinquedos, roupas e calçados.
Pesquisa de preços
Um dos principais pontos de atenção é a pesquisa de preços. Em um cenário no qual o consumidor busca equilibrar desejo e orçamento, é comum comparar valores, condições de pagamento e opções disponíveis antes de finalizar a compra. Por isso, ter preços competitivos e informações claras pode fazer diferença na decisão.
Antecedência nas compras
Outro comportamento esperado é a antecedência nas compras. Muitos consumidores começam a pesquisar e comprar antes de 12 de outubro, o que significa que a preparação da loja também precisa começar com antecedência.
Experiência de compra
Além disso, a experiência de compra ganha relevância. Seja no ambiente físico ou digital, encontrar os produtos com facilidade, ter um atendimento ágil e contar com opções de pagamento convenientes pode contribuir para uma jornada de compra mais simples.
Como preparar a sua loja para a data
Estoque
O desafio ao preparar o estoque para o Dia das Crianças no varejo está em ter os itens certos, na quantidade adequada e no momento certo, evitando tanto a falta de produtos quanto o excesso de mercadorias após o período de maior demanda.
Para fazer uma previsão mais assertiva, alguns pontos podem ser considerados:
- Analise o histórico de vendas: observe o desempenho do mesmo período em anos anteriores e identifique quais produtos tiveram maior saída.
- Considere as tendências do segmento: mudanças no comportamento do consumidor e nas preferências podem influenciar a procura por determinadas categorias e produtos.
- Avalie o prazo de reposição: considere quanto tempo os fornecedores levam para entregar novos produtos. Quanto maior o prazo, maior a necessidade de antecipar os pedidos.
- Evite rupturas: faltar justamente o produto mais procurado pode significar perda de vendas e impacto na experiência do cliente.
- Evite excesso de estoque: comprar além da demanda pode deixar produtos parados depois da data sazonal, comprometendo espaço e capital.
- Crie cenários de venda: trabalhar com diferentes possibilidades de demanda (como uma projeção conservadora, uma esperada e uma mais otimista) ajuda a tomar decisões de compra com mais segurança.
Preço e promoção
Em datas sazonais, como o Dia das Crianças, preço costuma ter um peso importante na decisão de compra. Mas isso não significa que a melhor estratégia seja reduzir os valores de todos os produtos. Para o varejista, competir também envolve entender a demanda, preservar a margem de lucro e criar ofertas que façam sentido para diferentes perfis de consumidores.
Uma estratégia de preços bem planejada pode considerar diferentes abordagens:
- Monitore os preços do mercado: acompanhar concorrentes ajuda a entender como os produtos estão sendo posicionados e a identificar oportunidades.
- Preserve a margem de lucro: antes de aplicar um desconto, avalie seu impacto sobre a rentabilidade. Uma promoção que aumenta o volume de vendas, mas reduz excessivamente a margem, pode não trazer o resultado esperado.
- Crie combos e kits: combinar produtos pode aumentar o valor percebido pelo consumidor e estimular compras de maior valor.
- Faça ofertas segmentadas: nem todos os produtos precisam receber o mesmo incentivo. É possível criar condições específicas de acordo com categoria, perfil de demanda ou objetivo da loja.
- Diferencie produtos de maior e menor demanda: itens com alta procura podem exigir menos desconto, enquanto produtos com menor saída podem receber condições especiais para estimular o giro.
- Planeje as promoções com antecedência: definir preços, descontos e condições antes do período de maior movimento facilita a organização da operação.
Leia mais: Saiba como fugir dos erros mais frequentes no monitoramento de vendas.
Loja física e digital
A jornada de compra ficou mais dinâmica. Hoje, o consumidor pode descobrir um produto nas redes sociais, pesquisar preços pelo celular, visitar a loja física para conferir de perto e, depois, finalizar a compra pelo site ou por um marketplace. Ou pode fazer exatamente o caminho contrário.
Por isso, pensar na loja física e nos canais digitais como operações completamente separadas pode dificultar a experiência de compra. O conceito de omnichannel parte justamente da integração desses diferentes pontos de contato, permitindo que o consumidor transite entre eles de acordo com sua necessidade.
No Dia das Crianças, essa integração pode aparecer de diferentes formas:
- Pesquisa online e compra na loja: o cliente encontra o produto pela internet e vai até o estabelecimento para comprar.
- Pesquisa na loja e compra online: depois de conhecer o produto presencialmente, o consumidor decide finalizar a compra por outro canal.
- Marketplaces: ampliam os pontos de contato e podem ajudar a loja a alcançar novos consumidores.
- Redes sociais: funcionam como canais de descoberta, divulgação de produtos e relacionamento.
- WhatsApp: pode facilitar o atendimento, tirar dúvidas, enviar informações e apoiar a venda.
- Retirada na loja: permite comprar por um canal digital e retirar o produto presencialmente, adicionando praticidade à jornada.
O Dia das Crianças também prepara o varejo para o fim do ano
O Dia das Crianças também pode funcionar como um ensaio para as próximas grandes datas do varejo, como a Black Friday e o Natal. Os resultados da operação ajudam a entender o que funcionou e o que precisa ser ajustado.
Depois da data, vale analisar:
- Quais produtos tiveram maior saída?
- Quais promoções funcionaram melhor?
- Onde houve ruptura de estoque?
- Quais canais venderam mais?
- Como foi o desempenho da equipe?
- O que os clientes procuraram e não encontraram?
Esses dados ajudam o varejista a identificar oportunidades e corrigir pontos de atenção antes das próximas campanhas.
Assim, o Dia das Crianças não termina quando as vendas acabam: seus resultados se transformam em inteligência para as próximas oportunidades.
A tecnologia como aliada do varejo no Dia das Crianças
Planejar uma data sazonal exige acompanhar o que acontece na operação para ajustar as decisões ao longo do período. É nesse momento que a tecnologia pode se tornar uma importante aliada do varejista.
Com os dados da operação reunidos em um sistema ERP, é possível consultar o histórico de vendas e usar esses dados como apoio para planejar compras, estoques e reposições de acordo com a demanda esperada.
A análise também ajuda a entender quais produtos têm maior ou menor giro, como as vendas se comportam em diferentes períodos e quais estratégias de preço podem contribuir para os resultados. Com essas informações, o varejista consegue identificar onde uma promoção pode estimular as vendas e onde um desconto pode comprometer a margem.
Um sistema de gestão ajuda a transformar dados em decisões. Acompanhar as vendas, o estoque e os indicadores durante a data permite identificar mudanças na demanda e ajustar a estratégia enquanto as vendas ainda estão acontecendo. Afinal, não basta ter dados: é preciso acessá-los, interpretá-los e usá-los a favor do negócio.
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- Leia também: O impacto da tecnologia no varejo em datas sazonais

